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Carta de definição para Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo

 O Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo - EMAU - é um projeto conceituado e fomentado pela FeNEA - Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil. Ele visa a melhoria da educação e da formação profissional através da vivência social e da experiência teórico-prática como um todo.

A extensão, assim como o ensino e a pesquisa, é fundamental para a formação profissional, pois é um instrumento de interação do meio acadêmico com a sociedade, tendo como princípio básico contribuir para o desenvolvimento desta, através da aplicação do conhecimento gerado e adquirido na universidade. Afirma, ainda, o compromisso da universidade com o desenvolvimento do saber. Neste sentido o EMAU é uma experiência de troca, na qual os estudantes levam às comunidades os conhecimentos específicos de arquitetura e urbanismo, e retornam à comunidade acadêmica o conhecimento adquirido em suas atividades.

O EMAU é uma iniciativa estudantil e não deve ser instrumento das universidades para suprir deficiências acadêmicas, mas sim como um complemento à formação profissional. Todo EMAU possui sua própria dinâmica de trabalho a partir de sua realidade acadêmica e regional, no entanto todos devem respeitar alguns princípios para que sejam considerados escritórios modelo. O eixo norteador ético destes princípios são os quatro postulados da UNESCO e União Internacional de Arquitetos para educação em Arquitetura e Urbanismo:

- Garantir qualidade de vida digna para todos os habitantes dos assentamentos;
         - Uso tecnológico que respeite as necessidades sociais, culturais e estéticas dos povos;
         - Equilíbrio ecológico e desenvolvimento sustentável do ambiente construído;
         - Arquitetura valorizada como patrimônio e responsabilidade de todos.

Sendo seus princípios os itens a seguir:

- Gestão Estudantil - O escritório modelo deve ter autonomia quanto à escolha de projetos e de orientador e é livre a participação de todos os estudantes interessados de sua faculdade. Por isso, torna-se um espaço para o desenvolvimento crítico e reflexivo da atuação e formação profissional.

- Horizontalidade nas tomadas de decisão - Buscar o consenso entre todos os envolvidos no processo, não havendo peso diferenciado entre os participantes. Vale ressaltar que o orientador não é um membro superior aos demais no EMAU e tem igual direito a voz, para incentivar a capacidade de gestão dos estudantes.

- Coletividade - Incentivar e desenvolver o trabalho participativo dentro e fora da universidade, não se restringindo à discussão, mas também promovendo a ação, bem como a troca entre as partes envolvidas. O EMAU, além de ter livre a participação para todos os estudantes de arquitetura e urbanismo, é livre para outros interessados, sendo um espaço de debate aberto a toda a sociedade. Isso garante um processo projetual participativo, promovendo a mobilização social.

- Multidisciplinaridade - Buscar todos os campos do conhecimento, científico e empírico, que possam contribuir para o desenvolvimento dos projetos realizados. O contato pode acontecer por iniciativa do próprio escritório ou da outra parte interessada.

- Não-assistencialista - O trabalho deve ser realizado com comunidades organizadas, elaborado e executado em parceria com a mesma, de forma que esta dê continuidade ao projeto após o afastamento do EMAU.

- Atuação nos locais não alcançados pelo profissional arquiteto - O escritório deve trabalhar com comunidades que não possam ter acesso ao trabalho profissional de arquitetura e urbanismo. A escolha dos locais pretende ainda difundir a atividade da arquitetura e urbanismo, buscando a ampliação da atuação do profissional através da disseminação da consciência do arquiteto e de toda a população.

- Sem fins lucrativos - O escritório modelo não tem fins lucrativos, no entanto, permite o recebimento de bolsa da faculdade por parte dos estudantes. É possível também firmar parcerias com entidades externas, desde que não firam nenhum dos outros princípios aqui presentes, principalmente no que diz respeito à autonomia do escritório modelo e o foco principal na extensão de cunho social. É importante frisar que estas parcerias devem ser buscadas preferencialmente através da comunidade envolvida. A responsabilidade técnica sobre os projetos elaborados pelos EMAUs segue legislação reguladora dos exercícios das profissões, sendo assinados pelo orientador do escritório.

O Projeto de Orientação a Escritórios Modelo de Arquitetura e Urbanismo – POEMA - é desenvolvido pela FeNEA e está disponível para download no site da Federação: www.fenea.org. Ele visa orientar, caracterizar e estimular a criação e manutenção dos EMAUs, através da definição conceitual, dos princípios éticos e dos históricos de EMAUs existentes.
 

 

Documento elaborado durante o XXXI ENEA (Encontro Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo)
        em Florianópolis, de 22 a 29 de julho de 2007, promovido pela FeNEA (Federação Nacional dos Estudantes
de Arquitetura e Urbanismo do Brasil), e homologado em plenária final.

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