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Um Conselho para você


A luta pela formação de um Conselho próprio para Arquitetos e Urbanistas é muito antiga e data de mais de 50 anos, porém, apenas em 2005, após a união de todas entidades representativas da arquitetura no Brasil, incluindo a FeNEA, é que esse sonho começou a se tornar realidade.

 

Hoje em dia, a profissão de arquitetura e urbanismo está vinculada ao sistema CONFEA/CREA, que aglutina mais de 300 profissões diferentes, muitas delas não demonstrando quaisquer semelhanças com arquitetura e urbanismo, como, por exemplo , metereologia e engenharia de apicultura. Essa grande quantidade de profissões, reunidas em um único Conselho, torna muito difícil a discussão das especificidades de cada profissão, e   a arquitetura, atividade tão complexa, necessita dessas discussões para poder avançar como atividade profissional.

 

Essa quantidade absurda de profissões, também causa uma grande dificuldade no que diz respeito à fiscalização, fazendo com que as obras brasileiras percam em qualidade arquitetônica, pois muitas vezes a falta de fiscalização permite que até agronômos ou outros profissionais ligados ao sistema CONFEA/CREA assinem os projetos arquitetônicos, que além de não terem a qualidade necessária, roubam o mercado de trabalho dos profissionais da área.

 

Além disso, o Brasil é o único país da América Latina, e um dos poucos no mundo, a não possuir um conselho próprio para arquitetura e urbanismo, fazendo com que a representação dos Arquitetos Brasileiros perante entidades internacionais, como a União Internacional dos Arquitetos (UIA), algumas vezes seja feita por outros profissionais.

 

A Lei de Criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), prevê também a criação de um código de ética. Apesar de parecer um mero detalhe, a construção de um código de ética rígido pode ser um dos melhores caminhos para a melhoria da qualidade arquitetônica no país, pois apenas após uma ampla discussão da real função social do arquiteto brasileiro e criando normas a serem seguidas pelos profissonais é que conseguiremos definir o que é certo e errado perante a sociedade, o que tornará mais eficaz a fiscalização da profissão e a responsabilização dos profissionais que desrespeitarem a sociedade, o que poderá criar uma maior união entre os profissionais. É importante mencionar que o número de casos avaliados anualmente no conselho de ética do CREA é muito baixo, demonstrando falta de rigidez, permitindo que os profissionais muitas vezes façam o que bem entendam, o que cria uma grande desunião na classe, sem falar em obras que muitas vezes ferem os patrimônios culturais e ambientais de uma sociedade.

 

A criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo vem para dar maior liberdade ao profissional, pois agora poderemos trilhar nosso próprio caminho, não dependendo de decisões tomadas por outros.

 

[José Fernando Conte - estudante da Universidade Estadual de Londrina (UEL) - Diretor Regional Sul – gestão 07/08]

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