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Dinheiro é tempo...

Arquitetar pra que? Ou pra quem? Ou por quê?

Fazer lindos projetos de formas plásticas deslumbrantes e inimagináveis. Resolver plantas para grandes vendedores preocupados com o tempo de mercado, e consequentemente com o dinheiro. Será esse o papel do arquiteto?

Se é não sei. Mas, o caminho que a “arquitetura” atual está seguindo é quase isso. Pelo menos é o que parece.

Isso que falo não saiu do nada, não concluo do nada, claro! É só olhar ao redor a “arquitetura” que temos atualmente. Refiro ente aspas mesmo, porque isso não é arquitetura. Arquitetura não é apenas construir espaços inseridos no meio urbano. Não é apenas “colocar de pé” estruturas quaisquer.

Arquitetura não é apenas forma e função. É a integração entre elas, e bem resolvidas, e muito belas, sempre. Sempre sim! Arquitetura é feita pra ser contemplada. E mesmo que ela não seja contemplada pelos homens, ela se contempla em si. Bem poético né? Ou não. O que seja. Arquitetura é isso mesmo. Tem que funcionar bem, isso todo mundo sabe, se não é escultura. Isso todo mundo sabe também.

Tá certo! Posso não estar falando nenhuma novidade aqui. Posso estar “puxando a brasa pra minha sardinha”, quer dizer, pra arquitetura. Mas é tudo a mesma coisa, se é que me entende! Acho que isso está muito confuso. E não estou dizendo realmente o que quero, assim, com essas palavras.

Bom, vamos recomeçar então...

Estou olhando pela minha janela...

Pela minha janela, olho pra fora da janela da minha casa. Olho o espaço de quatro dimensões que se tem lá fora..

Não me parece nada agradável.

Tantos prédios...

     Tanta cor...

           Tanta poluição...

                 Tão pouco vento...

           Tão pouco ar...

     Tão pouco de tudo...

Tanto de tudo...

O sol raiou por entre os prédios. Daqui dá pra vê, ainda tenho esse privilégio!

A arquitetura ainda não preencheu a vista da minha varanda. A arquitetura?? Não foi ela não.

O que se tem aqui a minha volta, e esse espaço que aqui estou, são construções humanas, para suprir necessidades próprias de moradia e mercado, e outras “coisitas” mais relacionadas ao segundo. Você me entende, não é?

As edificações surgem como capim. Só não é natural! Em poucos meses está tudo de pé, e quase tudo vendido.

E é isso que se tem.

O declínio da arquitetura se tem pelos próprios que se dizem arquitetos, e não por ela mesma. O declínio da construção de espaços, belos e funcionais se dá pela própria execução destes. Pelos próprios “planejamentos”, pela própria “supressão de necessidades”. É tudo contraditório mesmo. Deixamos-nos levar pelo mercado, pelos anseios do mercado, melhor dizendo, feito marionetes, onde cada linha é norteada pelo capital.. Enfim chegamos: tempo é dinheiro, né mesmo?!

Mas como diz Ana Carolina: “(...) Minha esperança é imortal! Sei que não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, dá pra mudar o final!”

[Raquel Arruda - estudante de Centro de Estudos Superiores de Maceió – AL (CESMAC) - membro integrante do Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo do CESMAC (CAAUC) - ComOrg do EREA Maceió 2008]

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