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Estágio

Segundo a lei de Estágio para estudantes, de dezembro de 2007, o estágio é ato educativo supervisionado no âmbiente de trabalho, que deve visar o aprendizado de competências próprias da atividade profissional, objetivando o desenvolvimento para a vida cidadã ou para o trabalho em geral.

Na mesma lei, as instituições de ensino são responsabilizadas por sua supervisão. Devendo disponibilizar uma acompanhamento efetivo de um professor orientador, que deve avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação social, profissional e cultural do educando.

O texto da legislação é bem claro e favorável aquilo que defendemos como conceito de estágio, mas como na maioria dos casos no Brasíl, o problema não está na lei, e sim no cumprimento destas. Será que realmente nossas instituições de ensino terão condições derealizarem tal acompanhamento e supervisão? Num senário político onde preferimos discutir a expansão das universiades ao em vez de equacionar seus problemas, como  falta de profissionais ou carências estrurais, as perspectivas não são boas.

Igualmente, decretamos o estágio como obrigatório no curso de Arquitetura e Urbanismo sem a devida preparação, que garantisse sua implementação de forma qualitativa e benéfica aos estudantes. Devido a este despreparo, até hoje discutimos o que é e o que não é reconhecido como estágio, em que momento da vida acadêmica o aluno deve estagiar, discutimos se o estágio deve ou não ser remunerado, se deve ser ofertado pela própria universidade ou o estudantes estará livre para busca-lo aonde bem entender. E se quer pensamos nas universidades que se encontram fora dos grandes centros, em cidades que muitas vezes a oferta por estágio em arquietura é menor do que a demanda de estudantes, que continuam precisando deste estágio para se formar.

Ficamos nos perguntando agora, por quantos e quantos paleativos passaremos até que a lei, como muitas outras, caia no esquecimento. O estágio como mão de obra barata, com pouca ou nenhuma preocupação com o desenvolvimento pessoal do estudante não se resolverá com uma caneta numa folha de papel, por mais dourada que seja a caneta. É preciso que debatamos nacionalmente todos estes quadros e construamos juntos mecanismos que façam com que todos estes conceitos saiam do imaginário e passem para o dia a dia de estudantes, educadores e profissioanais de arquietura. Como estudantes nosso papel será cobrar e atuar para que isto se torne possível.

[Renato Santana (ShowBizz) - estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - Diretor de Documentação e Informação - gestão 08/09 - Diretor Geral da FeNEA – gestão 07/08]

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