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Meio ambiente e desenvolvimento sustentável

O desenvolvimento da primeira Revolução Industrial possibilitou à humanidade multiplicar em centenas de vezes sua capacidade de produzir alimentos, roupas, máquinas e toda uma infinidade de bens de consumo, visando suprir todas as necessidades materiais da sociedade. A competição entre mercados no mundo todo gerou um avanço tecnológico que nos permite hoje produzir três vezes mais alimentos do que conseguiria consumir a população mundial. Isto acontece também com grande parte de tudo o que é prouzido no planeta. Mas como o mercado, com essa superprodução, consegue sobreviver? Estamos assistindo a um “elefante com pernas de garça”, que se sustenta à partir de sonhos artificiais. É criando necessidades cada vez mais supérfluas nos consumidores que o mercado sustenta aquilo que ele mesmo criou.

Está claro então que a questão do consumismo e do desperdício não é apenas uma questão cultural, apesar deterse enraizado profundamente em nossos costumes. Algo que faz parte hoje da cultura de mercado é fazer com que os produtos da indústria tornem-se cada vez mais descartáveis, induzindo o consumidor a desejar sempre produtos mais modernos. Somos sempre levados a pensar que precisamos trocar de celular a cada seis meses, comprar novas roupas a cada estação, ter o carro do ano. É o famoso “American Way of Life”, que nos empurra pela goela o “desentortador de bananas” pelo (011)1406 e outras frivolidades.

Não precisamos nem explicar que toda a produção tem um custo ambiental. Enquanto as empresas buscam incessantemente o lucro, as desigualdades sociais se agravam e os recursos naturais vão sendo extinguídos a uma velocidade assustadora. Não é à toa que produzimos três vezes mais alimentos do que podemos consumir e no entanto continua existindo fome em todo o mundo. Fica claro que diante desse quadro não podemos engolir programas financiados por empresas, bancos e governos que dizem que somente o “consumo responsável” irá salvar o planeta. E esse mesmo empresariado que abraça o discurso da sustentabilidade é o responsável por essa “obsolescência programada” dos produtos da indústria. Ao temer o colapso ambienta eles temem muito mais o colapso da economia capitalista, já que sem recursos naturais não há produção.

Dados esses elementos fica claro que existem sérios limites no discurso do “desenvolvimento sustentável”, que é necessário rever os padrões de consumo e de produção, já que os custos ambientais para a manutenção do modo de produção vigente são muito altos e o planeta e breve não poderá mais suportar. Apesar da importância do desenvolvimento de tecnologias alternativas, tanto na produção da Arquitetura como em todas as outras áreas, devemos buscar sempre compreender o que gera este conjunto de contradições. O sistema capitalista é uma cobra que engole a própria cauda e em breve não existirá mais vida humana para sustentar o consumo.

[Eduardo Baracat Loeck - estudante da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) - ComOrg do EREA Maceió 2008]

[Tiago Bastos - estudante da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) - ComOrg do EREA Juiz de Fora 2008 - Diretor Regional Leste - gestão 08/09]

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