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Movimento Estudantil 2

"A barricada fecha a rua, mas abre o caminho" Censier
 
Pois é cara, você saiu de casa, aterrisou em uma faculdade, e talvez de todas as surpresas e novidades que encontre nessa sua vida nova, a mais curiosa deva ser reconhecer o que significa esse tal “movimento estudantil” fora das romantizações da época dos seus pais ou a criminalização imposta pela TV. A princípio é difícil mesmo entender essa galera que sacrifica as parcas horas livres de sua vida acadêmica por um trabalho tão pouco compreendido ou tão mal julgado.
 
O movimento estudantil é um movimento social, que como tal se dedica à construção de um projeto de sociedade melhor, atuando principalmente na luta por uma educação de qualidade. Entende-se por “de qualidade” a educação formadora de cidadãos conscientes e humanos, e não somente enquanto uma fábrica de diplomas amestradora do sistema egoísta e mercadológico. Nessa luta entram todos os aspectos envolvidos na educação, desde um programa de ensino comprometido com a formação cidadã e humana até a reivindicação de direitos estudantis como gratuidade no ensino, taxas de transporte público justas que permitam a mobilidade do estudante, moradia estudantil para quem vem de longe, esse tipo de coisa.
 
As entidades representativas estudantis se organizam em diferentes esferas, existem os CAS e DAs que atuam em cada curso e são o elo mais próximo do estudante com o departamento do curso ou direção da faculdade, o DCE que atua em âmbito de universidade conglomerando todos os cursos e faculdades desta, e existem as Federações e Executivas de curso, que são as entidades representativas de cada área em âmbito nacional, uma para arquitetura e urbanismo, outra para comunicação social, outra para medicina, e assim por diante.
 
Pois é, apesar de toda essa explicação ainda vamos ver muita gente não entendendo que uma ocupação de reitoria, uma paralisação no trânsito da cidade ou uma palestra no fim do horário de aula promovida por um CA ou DCE possuem a mesma finalidade, a defesa por uma educação de qualidade e por definição horizontes melhores para nossa sociedade. É claro que no movimento estudantil vamos nos deparar com muita coisa que não entendemos, como disputas políticas segregadoras, correntes afins se digladiando em uma falta de diálogo permanente, ou as vezes a simples imobilidade pelo fato de ser um trabalho exaustivo, não remunerado e nem um pouco reconhecido. Mas felizmente mais incompreensível e mágico é essa paixão que inflama quem é tocado por ela e não lhe permite agir mais em conformidade com a injustiça ou o egoísmo do mundo, essa galera que ostenta bandeiras de ideais maiores que si mesmos, que luta pra garantir que o uso das palavras liberdade e a igualdade seja banida do pântano enganoso das bocas, até que se torne algo vivo e transparente com um fogo ou um rio e que sua morada seja sempre o coração do homem. Romper a inércia e entender porquê essas coisas existem é dever de todos, pois responsabilidade social ao menos devia ser um instinto do ser humano como ser coletivo que somos, pois como está escrito na parede de nosso CA: “quem não se movimenta, não sentem as jaulas que o prendem.”
 

[Tiago Bastos (Lobão) - estudante da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) - ComOrg do EREA Juiz de Fora 2008 - Diretor Regional Leste - gestão 08/09]

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