Artigos‎ > ‎

O preço da casualidade

O Preço da Casualidade

Manifesto Revolto Contra Casualidade na Arquitetura

‘‘Em arquitetura, haverá sempre quatro paredes. Em vez de argumentar contra quatro paredes, é mais relevante argumentar sobre a forma como se pode separar as quatro paredes da noção de uma percepção casual. A minha tarefa é torná-la não casual”

(Peter Eisenman)

Obedecer ao casual significa submeter-se à mesmice, à opressão ao pensamento, à criatividade e principalmente à ocultação do profissional “arquiteto”. Isso mesmo caro colega, você será mais um “invisível”.

A casualidade impõe regras que tornam comum todas as obras. Olhe ao seu redor ... você vê semelhanças? Não?! Pois elas existem, todas iguais, reprimidas, pedindo libertação das condições que lhe impusemos.

Liberte ... liberte-as, liberte sua criatividade, diga não à casualidade.

Ela surge de todo lugar, sempre há alguém que tenta reprimir novas idéias e tenta impor soluções casuais contra novas idéias um tanto revolucionárias, sem ao menos questionar seu valor. E eis o que acontece ...

Quando se está passando por uma rua onde todas as casas seguem o mesmo padrão, você nota a presença delas interferindo na sua percepção? Simplesmente passamos por elas sem perceber, não é mesmo?! Nem sequer temos curiosidade em saber quem “diabos” fez essa “droga” igual àquela.

O igual pode até ser interessante, mas nunca será perceptível o bastante para causar sensações. Sensações que chocam, que mexe com o emocional, seja através do desconforto, do monumental, do torto que te esmaga, da curva que acompanha a paisagem de determinado lugar, da sucata que representa o lixo urbano e faz diálogo com o feio, da rua que absorve essas diversidades e transforma tudo em emoção. Emoção que nós arquitetos queremos sentir e queremos que todos sintam.

A casualidade ofende nossa inteligência quando diz que tudo deve ser feito daquela única maneira. E você acredita, aceita ou pior, não liga ...

Você aceita ser ofendido dessa maneira?

Essa é a idéia, alienar para o casual, desde o começo, nessa droga onde ninguém observa, ninguém percebe, todo mundo obedece. E saímos técnicos em casas populares onde tudo depende da função, e a arte infinita se perde numa cidade carente de beleza.

É aqui que a casualidade começa, na vida universitária. Nos deixamos levar tão facilmente pelos ensinamentos em sala de aula que esqueçemos que o mundo lá fora evolui, poucos são os docentes que conseguem transmitir um ensinamento que encaminhe o aluno para uma linha de pensamento evolutiva e muito poucos são os discentes que conseguem absorver esse ensinamento, mesmo quando este é transmitido.

Portanto, alunos e professores devem se articular para que se tenha um maior desenvolvimento da vida acadêmica. Não podemos continuar a nos alienar com a pouca informação que é transmitida em sala de aula, os estudantes precisam ser mais “estudantes” e os professores mais “professores” ou a casualidade chega a todos e transforma tudo em uma instiuição sem tradição.

Danillo Sobral

16 de Maio de 2005

Aracaju - Sergipe

 

<Voltar para Artigos
Comments