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Pare e Pense

Dentre os estudantes que compõem a FeNEA, sabemos existir de instituições públicas e privadas, que por sua vez possuem seus centros e diretórios acadêmicos que funcionam para a representação da classe estudantil dentro da universidade, funcionando também, e principalmente como base para as discussões da federação.

Muitas vezes pensamos nas características e peculiaridades entre alunos de universidades públicas e privadas, mas devemos ainda, pensar nas semelhanças, seja nos atos ou nos problemas enfrentados. Partindo deste pressuposto levantamos, através de impressões retiradas dos momentos de discussão e a partir de relatos de alunos de ambas universidades, alguns pontos que necessitam de atenção.

Ao longo da história, é claro a iniciativa, e muitas vezes os resultados do movimento estudantil era de maioria tomada e alcançada por estudantes de instituições públicas, pois através do ensino gratuito e as relações e noções políticas alcançadas em tais era absurdamente maior que nas demais, sobrando para as particulares, principalmente numa visão da sociedade da época, o título de mera produtora de diplomas; o que apesar da gravidade da acusação, a sociedade não deixava de ter suas razões, como ainda hoje acontece.

Porém, nos dias atuais, a relação de semelhanças passa a ser muito maior: ambas têm interesse de formar um bom profissional, mas a formação do espírito de cidadania e política vai além da universidade, passando a ser algo que vem do caráter pessoal. Vemos hoje a elitização do ensino público, através principalmente, de processos seletivos que contradizem o ensino de base do país, ou seja, o ensino fundamental e médio no país não está apto a preparar o aluno que precisa passar pelo processo seletivo da universidade. Por outro lado, existe uma tentativa governamental de “deselitizar” o ensino privado, como uma atitude de enganar a sociedade, deixando de investir na educação pública, e estimulando a privada através de isenções de impostos em troca de vagas “gratuitas”para pessoas carentes, sem sequer, dar a estes, o respaldo para o desenvolvimento de seus estudos.

Saindo um pouco da escala global da universidade, passemos a refletir o estudante. Teoricamente, à partir do que foi exposto, a característica de “vivência de realidades distintas”, anteriormente peculiar as universidades públicas passa a ser também característica das privadas; também teoricamente, respeitando a formação acadêmica, os alunos de ambas possuem a mesma formação social. Porém, de fato, temos muitas coisas parecidas entre as duas, mas notamos um maior engajamento nas causas político-sociais por parte de alunos da instituições públicas, principalmente pela noção dos direitos civis que são dados dentro destas, mas aos poucos, vemos o aparecimento de alunos de universidades privadas, indignados com a situação de suas realidades, não apenas universitária, mas enquanto cidadãos.

Não devemos procurar culpa ou culpados, basta pensar que, há alguns anos atrás, o inimigo declarados de nossos direitos e nossas liberdades fosse um sistema opressor chamado ditadura. E nos dias atuais? Quem nos oprime apesar de tanta liberdade e velocidade de informação? Por que nosso país é ruim? Por que nossa universidade é medíocre? Por que as coisas não mudam pra melhor?

De quem é a responsabilidade?

Pense nisso, mas não esqueça que o principal responsável pela sua qualidade de vida, em todos os aspectos, é você mesmo!

[Thales Cury - Arquiteto formado na Pontifícia Universidade Católica de Poços de Caldas – MG (PUC POC) - Diretor de Documentação e Informação - gestão 06/07 - Diretor Regional Leste – gestão 07/08]

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