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Planos Diretores

Como começar? Não sei... Há tanta coisa a ser falada, escrita, questionada, que ainda não me permitiu escolher uma sequer para o início. Que tal os planos diretores, que os governos insistem em dizer que são participativos, mas que, na verdade, apenas uma parcela da população é ouvida, deixando grande parte do município a mercê das decisões daqueles mais influentes? Ah, que maravilha seria a participação popular levada a sério e os Conselhos Municipais deliberadores das políticas urbanas, tão necessárias à maioria das famílias, e tão poucos usufruidoras de tais investimentos.

Cadê o respeito ao Estatuto das Cidades, que garante políticas para o desenvolvimento conjunto das camadas sociais, direcionando recursos de maneira correta e transparente? Aliás, transparência deve ser um dos principais objetivos na criação destas políticas, e o MCidades deve fiscalizar e exigir que sejam cumpridas todas as exigências, e de maneira clara.

O que seria a Arquitetura sem o Urbanismo? Nessa mesma onda de dependência os Planos Diretores têm papel importantíssimo na construção de uma cidade justa e acessível a todas as camadas sociais, evitando patologias, como a especulação imobiliária, a degradação de bens imóveis históricos e a regularização fundiária.

“Se não tem solução, solucionado está”. Frase normalmente ouvida em nosso cotidiano, e que, infelizmente, tem fácil aplicação na cidade pelas prefeituras. Solucionado? Não parece... Vejo soluções, mas não vejo planos de ação para que sejam executadas. “Então de que adianta lutarmos por uma cidade dita ‘ideal’?” Aí está o problema da alta e média sociedades, mais influentes: desistir antes de começar, não se esforçar pela melhoria da cidade que escolheram para viver, pois não faz diferença, não haverá alterações no seu nível e modo de vida. 

Deixemos, pelo menos por um instante, de olharmos pela ótica egoísta e olhemos para a propriedade ao lado com um novo conceito social, mostrando para a administração pública a importância da reestruturação e planejamento urbanos o mais rápido possível, pois pode ser que daqui a pouco tempo, as mazelas urbanas já tenham dominado a estrutura da cidade.

[Livia Souza Cruz - estudante do Centro Universitário Geraldo di Biasi (UGB) – Volta Redonda – RJ  - Diretora e Ensino, Pesquisa e Extensão - gestão 08/09]

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