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E esse tal de Movimento Estudantil nas faculdades privadas, hein?

Com a Reforma Universitária instalada ou outorgada pelo governo Lula, uma série de medidas foi tomada para cada vez mais o Estado se ver livre do controle do ensino público. Ter um problema a menos para o Estado, passando assim o controle da educação para os órgãos privados, é um dos aparentes objetivos dos governantes. Escrevo isso devido ao sucateamento do ensino público e cada vez menos infra-estrutura para se estudar arq. nas federais, e esta falta de compromisso reflete diretamente nas Universidades privadas.

De que maneira podemos perceber isso?

O Governo regulamenta outras formas de investimentos no ensino. As PPP's - Parcerias Públicas Privado são um reflexo disso. Estas empresas acabam instalando seus laboratórios nos campus Privados, certas de que terão um retorno do investimento muito maior investindo nestas instituições privadas do que nas Federais, por estas terem um aparato tecnológico mais avançado; em contrapartida, terão isenção total dos impostos, terão mão-de-obra qualificada dos alunos, sem remuneração. Além disso, fica com o domínio das patentes das descobertas científicas realizadas. A produção de conhecimento nas Universidades é um bem público, e bem por isso o domínio deve ser público e não patenteado. Em troca de todas essas regalias, a empresa financia o ensino, a pesquisa e a extensão, de acordo com os seus interesses, direcionando o ensino para a área do seu interesse.

O Pro-Uni prevê a ocupação de vagas ociosas nas universidades privadas por alunos de baixa renda, seguindo alguns critérios descritos pelo MEC. Ao invés de usar o dinheiro dos impostos que o governo deixará de arrecadar para investir na criação de vagas nas Universidades públicas, o governo investe nas Universidades privadas, ajudando a financiar estas universidades, e mais uma vez expande um ensino sem qualidade, passando cada vez mais a responsabilidade para as pagas, mesmo não havendo nenhuma proposta que discuta uma assistência estudantil, e que garanta a permanência do aluno de baixa renda e de Arq. & Urb., que é um curso custoso, dentro da universidade.

Cada vez mais vemos prosperar o ensino à distância, prometendo formatura em dois anos. Imaginem a vantagem do governo nas estatísticas, com milhões de formados! Mas isso nada mais é do que a massificação do ensino, do simples, do mínimo ou menos do que isso, de um ensino sem qualidade, sem vivência acadêmica, sem articulação, sem fomento de um pensar, sem pesquisa e sem extensão, que menospreza e subestima a figura do mestre, do professor tão relevante para um curso como Arq. & Urb.

E para finalizar meus camaradas...o ENADE - Exame Nacional de desempenho dos Estudantes. O ENADE é um instrumento avaliativo do SINAES- Sistema Nacional de Ensino Superior no Brasil, que faz parte da Reforma Universitária.

Estas são algumas medidas que o governo tomou, mas a diminuição das mensalidades, o RU, o passe livre, são lutas que sempre estão presentes, mas que dificilmente são conquistadas, devido ao interesse cada vez mais do capital e da alienação estudantil. Estudante em casa aprendendo superficialmente sem se encontrar é bom para o governo! Resultados científicos são ótimos para o governo! Milhões de formados são bons para as estatísticas!

Mas e para nós caros colegas? Será que é bom isso? Será que estamos recebendo um ensino digno às altíssimas mensalidades que pagamos? Será que dispomos mesmo desta infra-estrutura dita? Paremos um pouco e reflitamos. Ai de concordarmos que hoje, realmente precisamos nos mobilizar em barrar esta reforma, e propormos uma mais coerente com a nossa classe e que nos proporcione além do ensino, uma assistência estudantil através de mais bolsas de pesquisa, passe livre, RU a R$ 1,00 e demais interesses comum.

Não esqueçamos que este é um ano de ENADE para o curso de Arq. & Urb., vamos tomar os exemplos do ano passado da organização estudantil das ocupações, deste ano com a destituição do reitor da UnB e seu vice também! Estudantes unidos são muito fortes e o governo tem medo dessa elite intelectual brasileira. Façamos jus a esse título que nos é dado devido à estatísticas e nos organizemos de forma a de uma vez por todas e termos nossas reinvindicações atendidas! Povo que se omite concorda com tais medidas, vamos reverter este quadro e fazer da universidade paga um campo do saber para a sociedade e não um mercado de especulação de grandes empresas e uma fuga do comprometimento do governo.

Inconformismo e resistência, essa é a nossa penitência!

[Marcelo Brinckmann (Xexa) - estudante da Pontifície Universidade Católica de Porto Alegre - RS (PUC-RS) - Diretor Regional Sul – gestão 07/08]

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