ENADE 2011

Aqui você encontra informações sobre o andamento dos debates sobre o ENADE - Ename Nacional de Desempenho de Estudantes - 2011 nas faculdades de arquitetura e urbanismo do Brasil e dentro da FeNEA, seja em Conselhos, Seminários de Ensino e dentro dos Encontros de 2011.

Se você tem algum material pra nos enviar (relatos, atas de reunião etc) sobre o que já foi discutido no seu curso ou deseja realizar um debate sobre, entre em contato com a gente que publicaremos aqui!

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Diretor de Arquitetura e Urbanismo da UFF diz que MEC nunca visitou a escola. Alunos fizeram boicote ao exame.

Faculdade recebeu nota 0 em infraestutura. Ministério informa que vestibular pode voltar ainda em 2013

RIO - O diretor da Escola de Arquitetura e Urbanismo (EAU) da UFF, Werther Holzer, disse, nesta quinta-feira (20), que o Ministério da Educação (MEC) nunca fez uma visita técnica à faculdade, que, em 2008 e 2011, foi reprovada no Conceito Preliminar de Cursos (CPC). A segunda nota 2 consecutiva, considerada insatisfatória pela avaliação, provocou a suspensão do vestibular da EAU pelo MEC. O ministério informou que o ingresso de novos alunos pode voltar ainda em 2013 se forem cumpridas as exigências da pasta.

Um dos critérios em que a escola recebeu a nota 0 foi o de infraestrutura. Holzer reconheceu os problemas, mas alegou que a reprovação foi provocada pelo boicote dos alunos ao Enade.

— Há uma avaliação de infraestrutra na prova do Enade, e ficamos com 0, porque os alunos deixaram a prova em branco. Fomos pêgos de surpresa, porque deveria vir uma comissão de avaliação do MEC, mas não tivemos nenhuma visita 2008 nem em 2011 para conferir se a infraestrutura correspondia a essa nota. Não sabem o que está acontecendo aqui. Temos problemas de infraestrutura que todas as universidades federais têm, mas tentamos resolver da melhor possível — alegou Holzer.

Entre as dificuldades estruturais, o diretor da EAU aponta que a biblioteca funciona de forma precária:

— Temos um projeto de uma biblioteca que ficou parado por muito tempo. Os laboratórios funcionam de forma precária. Só temos sete salas de projeto, e compartilhamos metade de uma sala de projeto com a engenharia.

Holzer contesta a suspensão do vestibular. Ele tem a esperança de o MEC voltar atrás da decisão e permitir que a escola possa preencher as 37 vagas para cada semestre de 2013. Como o curso exige um teste de habilidades específicas (THE), a classificação não se dá pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), mas com uma combinação da nota desta prova com a do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem).

— Vamos recorrer com a esperança de reverter esse quadro. Continuaremos preparando o THE, como se nada tivesse acontecido. É um desperdício não preencher esse número de vagas numa escola pública, gratuita e de qualidadade. O curso é formado por 90% de professores doutores, com um programa de pós-graduação de mestrado e doutorado recente e com nível 4 na Capes. Temos diversos convênios internacionais, recebemos alunos da França, Espanha e Portugal, além de termos vários estudantes premiados — complementa ele.

Em nota, o MEC informou que fará uma reunião com reitores e representantes das universidades reprovadas para verificar eventuais dificuldades que possam tê-las prejudicado. Segundo o ministério, a ideia é que elas possam voltar a oferecer o vestibular o mais rápido, possivelmente ainda em 2013, dentro do processo de medida de regulação dos cursos. “O que o MEC menos quer é fechar cursos, ainda mais de universidades públicas”, diz a nota.

Sobre a declaração do reitor da UFF, Roberto Salles, de que a culpa do boicote dos estudantes ao Enade era também dos diretores dos cursos reprovados, Holzer se eximiu da responsabilidade.

— A política da escola foi sempre de não intervir, nem para dizer que sim ou que não. Nossa postura é inscrever todos alunos no Enade, e a orientação é a de que todo mundo comparecesse a prova. Fazê-la ou não é uma questão de foro íntimo dos alunos.

Consultado sobre o tema, o Inep/MEC, que aplica o Enade, manifestou que a existência da Lei do Sinaes aponta para a avaliação da qualidade de todos os cursos públicos e privados. De acordo com a nota enviada pela assessoria do MEC, “os estudantes estão cientes que o boicote prejudica a sua instituição, o seu curso e o seu próprio diploma. A avaliação de qualidade é importante para todos os cursos e mais ainda para uma instituição mantida com recursos públicos”.

Diretório acadêmico emite nota defendendo boicote

O Diretório Acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo (DACA) emitiu nota alegando que “o conceito mínimo atribuído a EAU no Enade é exclusivamente em decorrência do movimento de boicote promovido pelos seus estudantes”.

Leia a nota na íntegra abaixo:

“Não acreditamos em uma prova que não considere as especificidades regionais, que avalia o futuro arquiteto urbanista com uma série de perguntas de múltipla escolha sem ao menos conferir a qualidade de seu projeto.

Não concordamos com uma avaliação que mais serve como peça publicitária para determinadas universidades autodeclaradas como centros de excelência através de um "rankeamento" oferecido pelo MEC para fortalecer ainda mais a lógica da mercantilização do ensino superior, o qual deveria ser um direito de todos.

Boicotamos porque acreditamos que é necessária uma avaliação de verdade, em que todos os cursos devam ter sua qualidade física e pedagógica fiscalizada, e não condicionada a nota de uma prova que tem seus resultados como maquiagem sobre as demais carências das instituições.

Repudiamos o autoritarismo do MEC, através da medida de cancelamento do vestibular de arquitetura e urbanismo da UFF. O Ministério ciente ou não do boicote, jamais cumpriu com seu compromisso de avaliação presencial como determinado pelo SINAES, o que o faz desconhecer a realidade da EAU.

Enxergamos o boicote como meio de se estabelecer um canal de diálogo com a Reitoria da UFF e com o MEC e principalmente com a sociedade, na busca de uma educação de melhor qualidade e sobretudo pública.

Aproveitemos esta oportunidade para crescer e não punir àqueles que lutam por uma universidade melhor”.


MEC suspende vestibulares de 207 cursos superiores de baixa qualidade

Ministro diz que o governo será cada vez mais rigoroso com a qualidade do ensino

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta terça-feira (18) a suspensão de vestibulares de 207 cursos das áreas de engenharia, exatas, tecnologia e licenciatura (formação de professores), oferecidos por instituições particulares e federais. A medida faz parte de novas regras criadas pelo Ministério da Educação (MEC) para coibir o funcionamento de faculdades de baixa qualidade. Mercadante anunciou também restrições para o ingresso de estudantes em 185 instituições de ensino superior que tiveram mau desempenho em avaliações do MEC. A medida vale para novos vestibulares. Veja a lista completa aqui.

— Seremos cada vez mais rigorosos com a qualidade. Não basta expandir, tem que expandir com qualidade — disse Mercadante.


Os 207 cursos foram reprovados duas vezes consecutivas, com notas 1 ou 2, na escala até 5, no chamado Conceito Preliminar de Cursos (CPC), que considera os resultados do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) e a qualidade da infraestrutura, do projeto pedagógico e dos professores. A lista dos cursos só será divulgada no Diário Oficial desta quarta-feira (19).


Ao todo, 672 cursos foram reprovados e serão obrigados a firmar protocolo com o MEC, assumindo o compromisso de sanar as deficiências apontadas na avaliação. Eles atendem 129 mil estudantes e representam 1,95% do universo de matrículas nos 6.083 cursos mantidos por instituições particulares e federais — as estaduais e municipais não são sujeitas à fiscalização do MEC.

Desse total de 672 cursos com nota baixa, 465 foram reprovados pela primeira vez. Eles estão liberados para realizar vestibulares, mas ficarão proibidos de aumentar o número de vagas em 2013, até que uma fiscalização in loco constate melhorias.


A proibição de matricular novos alunos atinge 207 cursos reprovados duas vezes - em 2008 e 2011. Dentre eles, 90 cursos apresentaram piora na avaliação de 2008 para 2011, caindo do conceito 2 para o conceito 1 no CPC. Eles poderão continuar funcionando, mas sem fazer vestibular nem matricular novos alunos em 2013.


Segundo o MEC, as medidas não valerão para novos alunos que, por ventura, já tenham feito matrícula no primeiro semestre de 2013 num desses cursos. Quem não tiver efetivado a matrícula, porém, não poderá ingressar, mesmo que já aprovado no vestibular.


Mercadante destacou que o objetivo do ministério é induzir a melhoria do ensino superior no país. Com as novas regras, o MEC estabelece que duas reprovações seguidas no CPC levam à suspensão cautelar imediata do vestibular. Antes, segundo ele, o ministério cortava o número de novas vagas em ações pontuais, após a conclusão de processos administrativos.

— As medidas que nós tínhamos não foram suficientes. Não basta reduzir o número de vagas — afirmou Mercadante.


Os demais 117 duplamente reprovados tiveram melhora de 1 para 2, na escala do CPC. Assim, embora reprovados, terão a chance de recuperar o direito de promover vestibulares no ano que vem, caso cumpram as medidas nos prazos determinados pelo MEC.


Deficiências no corpo docente deverão ser solucionadas em até 60 dias. É o caso de cursos sem nenhum professor contratado em regime de tempo integral ou sem o número mínimo de docentes com titulação de mestre ou doutor. Falhas de infraestrutura e projeto pedagógico deverão ser corrigidas em 180 dias. De acordo com o MEC, os prazos valem para todos os 672 cursos. Mas, no caso dos 117 — cujo conceito subiu de 1 para 2 —, o cumprimento das exigências terá o efeito de liberar a realização de vestibulares já em 2013, tão logo isso seja constatado por uma comissão de avaliação in loco.

Ao todo, 551 instituições de ensino superior privadas (549) e federais (2) receberam nota baixa — conceitos 1 ou 2 — no Índice Geral de Cursos (IGC), que avalia universidades, centros universitários e faculdades no país. Instituições estaduais e municipais também são avaliadas, mas não estão sujeitas à supervisão do MEC.


Dentre essas 551 instituições, 185 foram reprovadas tanto no IGC de 2008 quanto no de 2011, o que acarretará em restrições imediatas mais severas. Elas deverão reduzir o número de ingressantes a partir de 2013. No caso das 86 instituições cujo IGC piorou no período de 2008 a 2011, o número de ingressantes matriculados no ano que vem não poderá superar o total registrado em 2008. No caso das 99 instituições que apresentaram melhora de 1 para 2 no IGC, no mesmo período, o teto de matrículas de ingressantes não poderá ultrapassar o do ano passado. Todas as 551 instituições reprovadas passarão por recredenciamento.


O MEC enviará às respectivas Secretarias de Educação, nos estados, a lista de instituições de ensino e cursos de graduação estaduais e municipais reprovados no IGC e no CPC. no caso delas, cabe aos sistemas estaduais de ensino tomar providências de supervisão e fiscalização.

Caso as medidas saneadoras não sejam tomadas, o MEC abrirá processo administrativo que, em tese, pode levar ao fechamento dos cursos.


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CoREA_BH_ENADE.pdf
(69k)
Guilherme Fraga,
17 de out de 2011 23:45
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MesadedebateSINAESeENADE_UFJF.pdf
(97k)
Guilherme Fraga,
17 de out de 2011 23:39
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