Notas e Cartas Abertas


Nota de Esclarecimento

Cancelamento do EREA Sul Lapa 2016

Posicionamento da Diretoria Executiva da FeNEA Gestão 2015/2016. 

 

São Paulo – SP, 06 de Abril de 2016.

 

            

A Direção Nacional Executiva da Federação Nacional das e dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (FeNEA) vem por meio dessa carta se posicionar frente aos atuais acontecimentos dentro da FeNEA relativos ao cancelamento do projeto Lapa.

No atual cenário, o acirramento da luta política e de classes tem levado ao constante embate entre diferentes forças políticas. A tomada de posição frente a esse cenário se mostra extremamente necessária a todos os membros da federação, em espaços além e aquém da FeNEA. A neutralidade não passa da maneira mais cômoda de esconder a sua opção e legitimar as injustiças. O que está em jogo no atual cenário político e econômico brasileiro é a construção de um projeto de sociedade.

Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, é o seu ser social que inversamente, determina sua consciência, afirmam Marx e Engels em “a Ideologia Alemã”. Ou seja, o desenvolvimento da vida social, através das mudanças do meio, do ser social e do desenvolvimento do trabalho são processos transformadores da consciência do homem, tais processos são frutos do momento histórico ao qual o indivíduo está inserido. Portanto, a FeNEA enquanto construção humana também modifica seu posicionamento – sua consciência – através da história e constrói o movimento estudantil em espaços mais ou menos politizados a depender da conjuntura político-social. Sendo assim, a federação tem passado por mudanças, relativas a esse momento, colocando pautas latentes a sociedade que vivenciamos. Nesse contexto, o EREA Lapa surge como um elemento questionador da ultrapassada estrutura vigente.

Percebemos que durante o processo de construção do projeto LAPA houveram erros, de comunicação e articulação, entre a direção executiva, a comissão e os membros da FeNEA, sujeitos inseridos nesse contexto. Mas consideramos as reações ao cancelamento do encontro são desproporcionais, além de se colocarem de maneira desnecessariamente agressiva, e reiteramos que como representação de uma federação estudantil, não aceitaremos discursos de ódio ou injurias para com a comissão.

Além disso, destacamos a complexidade e dificuldade de construção do projeto ao qual se vincula tal espaço frente ao atual modelo hegemônico de encontro. Os encontros e demais espaços da federação, por se tratarem de espaços de disputa, são os locais onde as mudanças de posicionamento tornam-se mais evidentes. Dessa forma, a construção do EREA LAPA como elemento transformador e insurgente dentro do atual modelo de encontro, que emerge dentro de um momento político propício, afronta e ofende a atual ordem hegemônica do movimento estudantil de arquitetura e urbanismo. Destacamos assim as dificuldades existentes ao se colocar como um espaço de ruptura, que foge ao padrão esperado, e a maneira corajosa como ocorreu o processo de construção do projeto LAPA, isso não será esquecido. O processo de enfrentamento do EREA Lapa deve servir de inspiração àqueles que esperam construir um novo modelo de sociedade, um novo espaço de encontro e uma FeNEA verdadeiramente emancipadora.

É necessário romper as cascas, modelos e moldes, emancipar-se e buscar a emancipação na construção de um movimento estudantil de arquitetura e urbanismo realmente representativo, que represente também o(a) filho(a) do(a) trabalhador(a) na construção de uma nova sociedade e de uma nova universidade, publica, de qualidade, e socialmente referenciada.


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Diretoria de Documentação e Informação,
6 de abr de 2016 07:03
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